Introdução
Nesta série de artigos, vamos falar sobre práticas específicas e as ligaremos, as associaremos à Teoria e Prática (de Vida) Integral, encaixando-as na "estrutura (mental) integral", em outras palavras, no "Metamapa Integral".
No presente artigo irei abordar uma prática que nomeei de "Assegure-se de que dispõe de tempo suficiente para completá-lo [alguma exercício, prática ou tarefa] sem ser perturbado.".
Sobre a "Assegure-se de que dispões de tempo..."
O trecho em que aparece as instruções dela, contida no livro "Como Superar Nossas Barreiras: Psicologia da Prática Esotérica", de Will Parfitt (1990, p. 17, colchetes meus), transcritas para aqui, são literalmente: "Para ajudá-lo a maximizar os benefícios de qualquer exercício contido neste livro, procure sempre assegurar-se de que dispõe de tempo suficiente para completá-lo [alguma exercício, prática ou tarefa] sem ser perturbado. Mesmo que só disponha de pouco tempo para um determinado exercício, estabeleça um período para executá-lo e não interrompa.".
Nesse livro, essa prática, junto com outras, formam um modo otimizado (de acordo com o autor) de praticar os exercícios incluídos nele. Além disso, o subtítulo desse livro, foi dado, de acordo com Parfitt (o autor deste) orginalmente pelo editor, mas ele gostaria que fosse "Psicossíntese e o Esotérico" (aqui traduzi este possível subtítulo do original em inglês da edição nova desse livro, exclusiva para o dispositivo de leitura de texto Kindle) (PARFITT, 2012).
Como classifico a prática "Assegure-se de que dispões de tempo..."
A partir daí, classifico essa prática como uma "metaprática" (uma prática que gerencia uma ou mais outras práticas, quero dizer, uma prática em relação a outra prática) e como uma "pré-prática" (aquela prática que precede e/ou prepara para outra prática), dessa maneira ela envolve e organiza outras práticas. Então, classifico-a também como envolvendo a "Administração de Tempo".
"Administração de Tempo" na "Prática de Vida Integral"
Segundo a "Matriz de Prática de Vida Integral" da página 42 do livro "A Prática de Vida Integral" (WILBER, PATTEN, LEONARD e MORELLI, 2011), temos "Administração do Tempo", como prática do Módulo "Trabalho", um "Módulo Adicional".
Faremos uma pausa agora para explicarmos o que está como Módulo, Módulo Auxiliar e Módulo Básico dentro do contexto da "Prática de Vida Integral" ("PVI").
O que é um Módulo? O que é um Módulo Auxiliar? Quais são os Módulos Básicos?
Mas em que consiste um "Módulo"? Um módulo, na Prática de Vida Integral, consiste em áreas específicas da Vida.
E em que consiste um "Módulo Adicional"? Está como um Módulo que pode - está como uma opção - de exercitá-lo, um Módulo não-basico, não-essencial e não-central - sendo os Módulos Básicos, Essenciais ou Centrais: o do Corpo, o da Mente, o do Espírito e o da Sombra (ou da integração dos aspectos profundos do inconsciente).
"Administração de Tempo" na "Prática de Vida Integral" (Continuação)
Retornamos agora o tema da "Administração de Tempo" na "Prática de Vida Integral".
No livro "A Prática de Vida Integral" (WILBER, PATTEN, LEONARD e MORELLI, 2011, p.303), temos a descrição de "Administração de Tempo" no contexto da PVI:
"Para muita gente, a administração do tempo é um aspecto-chave do módulo Trabalho mas, fora do trabalho, também fazemos muitas escolhas importantes a respeito do uso do tempo. O tempo é o nosso recurso mais precioso e mais limitado. De inúmeras maneiras, a relação com o tempo determina as possibilidades da sua vida. À medida que a prática amadurece, a sua relação com o tempo pode evoluir, criando um ritmo eficiente, livre e equilibrado, mesmo estando em contato com o presente atemporal."
Aqui vimos, que a "administração do tempo" pode estar como um aspecto-chave do módulo Trabalho, mas que não se limita à esse módulo, podendo estar contida em ou lidar como outros Módulos, áreas da Vida. Que nossa relação com o tempo pode evoluir e melhorar me termos de qualitativos, ao menos - se não (também) quantitativo. E essa mudança pode se manter inclusive com nossa vida e evolução "espiritual" - a do "contato com o presente atemporal".
Em seguida, podemos refletir que essa "metaprática" ("Assegure-se de que dispões de tempo...") pode ser usada em outros Módulos Auxiliares e talvez mesmo nos Básicos. Considero aqui também que o "tempo" do qual estamos falando (que não o "do presente atemporal"), se encaixe no "quadrante interobjetivo", desse modo ao relativo aos sistemas, onde (um aspecto d)o Trabalho se encaixa - assim como a prática de "carma yoga", nossa "ação no mundo" (ver a "Matriz de Prática de Vida Integral" no livro "A Prática de Vida Integral" (WILBER, PATTEN, LEONARD e MORELLI, 2011, p. 42)- no sistema evolvendo-nos objetivamente com nosso corpo em relação ao nosso ambiente, associado então ao "quadrante inferior objetivo" (ver sobre o que são, quais são, além de quais "espaços" eles incluem no artigo "Elementos da Teoria Integral: Quadrantes", neste blog).
Conclusão
Então acabamos de associar a prática com a Teoria Integral, como ela encaixa-se na teoria. Entendemos como a nomeio, o contexto dela no livro "Como Superar Nossas Barreiras", como a classifico ("metaprática", "pré-prática" e como possível parte de uma "administração de tempo"), daí a colocamos no contexto da "administração do tempo" dentro da Teoria Integral e, assim, de seu desdobramento prático - a Prática de Vida Integral (passando pelas explicações de alguns dos conceitos da PVI: Módulos, Módulos Auxiliares e Módulos Básicos) - incluindo sua descrição e como ele se encaixa em relação aos Módulos e ao elemento "dos quadrantes".
Referências
PARFITT, Will. Como Superar Nossas Barreiras: Psicologia da Prática Esotérica. Tradução: Antônio Danesi. São Paulo: EDITORA CULTRIX, 1990.
PARFITT, Will. Walking Through Wall: Psychosynthesis and the Esoteric. Glastonbury: PS Avalon, 2012.
WILBER, Ken; PATTEN, Terry; LEONARD, Adam; MORELLI, Marco. A Prática de Vida Integral: um guia do século XXI para saúde física, equilíbrio emocional, clareza mental e despertar espiritual. Tradução: Carlos Augusto Leuba Salum e Ana Lucia da Rocha Franco. São Paulo: Cultrix, 2011.
